sexta-feira, 16 de abril de 2010

Bullying atinge mais os meninos

Nas escolas, eles são as principais vítimas, mas também os maiores agressores

SÃO PAULO (Folhapress) - Uma pesquisa inédita realizada no País mostrou o perfil do estudante que convive com o bullying no ambiente escolar. Os meninos foram identificados como sendo as maiores vítimas, e, também, como os maiores agressores. O levantamento realizado no segundo semestre de 2009 pela Ong Plan Brasil indica que 34,5% dos meninos já sofreram maus-tratos na escola, sendo 12% vítimas de bullying, contra 7% das meninas. Já no papel de agressor, os meninos aparecem com 12,5% de autoria, e as meninas com 8%.

Segundo a professora e pesquisadora de bullying Cléo Fanti, os fatores para essa razão são culturais e podem influenciar as atitudes dos pais em relação ao comportamento das crianças. Dos alunos ouvidos, 70% dizem que já presenciaram cenas de agressões entre estudantes, enquanto 30% vivenciaram situações violentas. Desse montante, o bullying foi praticado ou sofrido por 10% dos alunos. A maior incidência ocorre entre adolescentes com faixa etária entre 11 e 15 anos e que frequentam a 6ª série do Ensino Fundamental.

Foram colhidos dados de 5.168 estudantes das cinco regiões do País. “O objetivo da pesquisa é identificar essa forma de violência escolar, como e onde ela ocorre, quais são as variáveis que implicam na sua manifestação, para depois propor ações pilotos em determinadas escolas para que possamos aprender como viabilizar o debate de como combater a violência”, disse o diretor da Plan Brasil, Moacyr Bittencourt.

De acordo com Cléo Fanti, o bullying é caracterizado pela agressão física ou verbal que ocorre repetidamente contra a mesma vítima no mínimo três vezes num período de um ano letivo. Geralmente, as vítimas se diferenciam dos demais colegas de escola por apresentarem alguma diferença determinante, seja de raça, cor da pele, obesidade, uso de roupas ou objetos diferentes, ou, ainda, pelo status socioeconômico.

Na internet, a situação é ainda pior

SÃO PAULO (Folhapress) - O ciberbullying, ou bullying virtual, ocorre com maior frequência que nas escolas do Brasil, segundo pesquisa divulgada pela ONG Plan Brasil. De um universo de 5.168 alunos, 16,8% disseram que são ou já foram vítimas de ciberbullying, enquanto 17,7% se declararam praticantes.

A pesquisadora Cléo Fanti diz que é grande a probabilidade de no futuro o número de cyberbulling ser maior do que a agressão presencial. “Uma vez que na escola é muito mais fácil identificar o autor de bullying, no mundo virtual essa facilidade não é tão grande assim, e existe a necessidade de se acionar a Justiça e especialistas nessa área para se descobrir o autor”, disse a professora.

Geralmente, as agressões são feitas por e-mails e são praticadas com maior frequência pelos alunos do sexo masculino. Já as meninas preferem usar bate-papos instantâneos ou sites de relacionamento. Adolescentes com faixa etária entre 11 e 12 anos costumam usar ferramentas ou site de relacionamento para agredir os colegas. Já as crianças de 10 anos invadem e-mails pessoais e se passam pela vítima. Independentemente do ambiente, seja ele virtual ou escolar, as vítimas não costumam reagir às agressões.

Fonte: Folha de Pernambuco - 15 de Abril de 2010.

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